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22/fev/2018

O BÊBADO E O CAVALO

Autor(a): Jason Frutuoso

 

Desceu a serra alegremente,

Cantando músicas de minha terra.

Apressado para chegar à cidade,

Golpeava o cavalo sem dó nem piedade.

 

Parou para matar o bicho na venda ao pé da serra.

Agora, embriagado, ele sorria, gargalhava.

O modo como golpeava o cavalo indicava

Que já não fazia bons julgamentos.

Desligou-se para a costumeira pausa.

 

Cantava as mulheres da beira da estrada,

Gingando o corpo para conquistá-las.

Balançava fazendo da cabeça um pêndulo.

Caiu bem no meio da estrada.

 

Seu cavalo, acostumado àquela tarefa diária,

Parou, cheirou seu comandante e ali ficou – sobriamente.

Vigiou seu dono que dormiu profundamente

Até de manhã.

 

“O cavalo falava, ninava o homem”, disse o leiteiro.

Adestrado pela rotina de seu Pedro,

Aprendera a acolhê-lo e a defendê-lo.

Agora o cavalo é o comandante.

 

Já é de manhã e lá vem de novo Maria Tereza,

Outra vez procurando o marido.

Ele é pura ressaca, mas a embriaguez passou.

Sol quente e a mesma cefaleia de sempre.

 

Pobre Maria Tereza,

Não consegue mais viver sem sua embriaguez.

Seu Pedro se embriaga com a pinga

E ela com embriaguez do marido.

Casaram-se também nesta tarefa.

 

Seu Pedro é função das ações de Maria Tereza e do cavalo Baião

- um triângulo que deu certo.

 

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, senhora?"

 

“Mas embriaguez não é doença”,

Quando me casei ele já bebia"

Disse docemente Maria Tereza.

 

 

Até onde fiquei sabendo

Eles viveram felizes para sempre.

 

 

 

 
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