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03/jun/2009

Transtorno obsessivo compulsivo na infância e na adolescência

Autor(a): Jason Jair Frutuoso

O que é?

É um transtorno caracterizado por idéias obsessivas ou por pensamentos compulsivos recorrentes. As idéias obsessivas são pensamentos, representações ou impulsos, que intrometem na consciência de modo repetitivo e estereotipado. Em geral, elas perturbam muito o sujeito, que tenta resisti-las, mas sem sucesso. A pessoa reconhece, entretanto, que se trata de seus próprios pensamentos, mas estranhos à sua vontade e em geral não prazerosos. Os comportamentos e os rituais compulsivos são atividades estereotipadas repetitivas. O sujeito não tira prazer algum da realização destes atos, os quais, por outro lado, não levam à realização de tarefas úteis por si mesmas. O comportamento compulsivo tem por finalidade prevenir algum evento objetivamente improvável. Frequentemente este evento implicaria em dano infligido ao sujeito ou causado por ele, que ele teme que possa vir a ocorrer. O indivíduo reconhece habitualmente o absurdo e a inutilidade de seu comportamento e faz esforços repetidos para resistir-lhes. O transtorno se acompanha quase sempre de ansiedade que se agrava quando o paciente tenta resistir à sua atividade compulsiva. Fonte CID 10.

Os sinais da doença geralmente estão presentes desde muito cedo, mas às vezes os pais só vão perceber quando os sintomas se manifestam da forma mais aguda, isto é, quando eles impõem sofrimento psicológico ao paciente e se tornam perturbadores também para os familiares. Os sinais que deveriam ser vistos como um alerta para a tomada de decisões por parte dos pais, muitas vezes são vistos por eles apenas como “um jeito de ser” da criança. Eles só vão perceber a dimensão do problema quando ele se torna mais grave. É comum os pais se desestruturarem quando o filho apresenta problemas de saúde e a falta de conhecimento sobre o assunto acomete a maioria deles, o que favorece a ansiedade e a angústia da família.  

Tenho dito aos pais que suas dúvidas sobre alguns sinais do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), devem ser discutidas com um profissional da saúde, porque o diagnóstico feito de forma precoce ajuda no tratamento, diminuindo assim as conseqüências desagradáveis para a vida futura do paciente. Isto vale para todas as doenças.  

Mas a quem procurar?

Os pais devem procurar diretamente o(a) psiquiatra ou o(a) psicólogo(a) – especialistas em infância  e adolescência – mas isto muitas vezes se torna um pouco difícil para eles, uma vez que o desejo de caminhar nesta direção quase sempre esbarra no temor de uma descoberta nada agradável em relação à saúde do filho. Mas de toda forma é melhor que o diagnóstico seja estabelecido precocemente para que o tratamento seja exitoso. Outra dificuldade é que a criança não se queixa de forma explícita de seus sintomas como é o caso do adulto, isto leva os pais a pré-suporem que tudo está bem com ela.

Ao apresentar alguns dos sintomas abaixo, os pais devem levar a criança ou o adolescente  para a devida avaliação.

  • Mania de limpeza
  • Necessidade imperiosa de verificar se a porta está fechada e outras manias de verificação.
  • Necessidade de repetir certos comportamentos, como colocar o pé quatro vezes dentro do carro antes de entrar nele, bater na madeira antes de realizar alguns eventos, acender e apagar luzes diversas vezes, rezar repetidamente, beijar um objeto sagrado várias vezes, contar placas na rua e outros objetos ao longo do percurso do passeio com os pais.
  • Observância rigorosa da simetria ao guardar seus objetos, como sapatos rigorosamente emparelhados, colocar objetos em cima de um móvel de forma excessivamente organizada, extrema dificuldade para se desfazer de suas coisas, juntar tocos de cigarros e outras coisas aparentemente sem importância.
  • Muita rigidez ao brincar, dando a idéia de que não está tirando proveito desta atividade.
  • Não pisar em determinadas linhas do calçamento ou caminhar rigorosamente em cima delas, pular ladrilhos ao caminhar em logradouro público ou mesmo em casa.

É importante salientar que todos estamos sujeitos a apresentar alguns destes comportamentos, sem que isto seja sintoma de TOC, portanto, os pais devem observar com que frequência eles são apresentados e se há algum sofrimento emocional na criança ou no adolescente que os apresenta. Isto vai orientá-los para que não fiquem angustiados sem justa motivação.

Igualmente importante é que os pais fiquem atentos ao relato de professores, pediatras e outros profissionais que trabalham com a criança e com o adolescente. Isto pode ajudá-los a identificar os sinais de alerta que vão orientá-los sobre a necessidade de uma avaliação psicológica e a identificação de um possível Transtorno Obsessivo Compulsivo(TOC).

Um Caso de Transtorno Obsessivo Compulsivo

“Quando pequeno ele já apresentava alguns comportamentos que eu achava diferentes dos comportamentos dos irmãos: Seus objetos eram  colocados muito alinhados, gostava de andar em cima das linhas das cerâmicas, era extremamente organizado e rigoroso em tudo que fazia;  parecia muito sério ao brincar. Certa vez descobri que pegava tocos de cigarros na rua e os colocava no bolso, e, quando perguntei por que fazia aquilo, disse-me que era para evitar que seus professores dessem  provas ou trabalhos muito difíceis para ele resolver”, disse uma mãe durante a entrevista sobre o filho.

Após o relato da mãe, o pai tomou a palavra e disse: “Eu também fui assim, depois cresci e tudo mudou, agora estou bem, sou um homem bem sucedido na vida, esta preocupação dela – apontando para a mãe –  não faz muito sentido”.

Após algumas sessões de avaliação ficou constatado que o adolescente apresentava de fato um Transtorno Obsessivo Compulsivo, diagnóstico confirmado também por um Psiquiatra da Infância e Adolescência.

Ao ouvir o diagnóstico o pai ficou muito desapontado, a mãe nem tanto, uma vez que ela acompanhou mais de perto o desenvolvimento do filho e a evolução de seu quadro clínico. A negação do pai em relação ao diagnóstico é compreensível, uma vez que é mesmo bastante desagradável descobrir que o filho é portador de uma doença(qualquer que seja).

Obs:

– O caso acima é uma ficção, este é o modo que costumo ilustrar meus artigos para evitar a exposição de meus clientes.

 
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