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15/set/2013

Zé boiadeiro

Autor(a): Jasoln Frutuoso

 

Zé Boiadeiro era um daqueles homens que nascem com o pedigree para campear gado. Em 1917 emitiu seu primeiro choro e, para saber se o menino tinha saúde, dizia a lenda, era preciso chorar e, para isto, recebia uma palmada - ferindo o que hoje chamam de "lei da palmada".

O pai de Zé Boiadeiro, homem da roça, de pouca instrução, porém inteligente, ao escutar o choro do Zé, gritou lá da sala: "Esse moleque é bão, chora forte como o berro de um touro; vai ser boiadeiro se Deus assim permitir!"

Zé Boiadeiro pareceu entender a ordem de seu pai e, ainda bem menino, montou pela primeira vez no lombo de um burro da fazenda, puxou a rédea com aquelas puxadinhas de adestrador e deixou claro para o Senhor Antônio que a profecia estava se cumprindo.

Zé Boiadeiro cresceu forte como pedreira, sensível como a poesia, e se deixou crescer como ordenou a lei do pai.

Então:

Cumpriu a sorte,

Tantas vezes viajou pro norte,

Tocou grandes boiadas,

Nunca tirou os pés da estrada.

Soltou o som do aboiar,

Arranchou em mundos e submundos,

Dançou com lindas caboclas.

Montado em seus burros adestrados

Foi deixando às margens da estrada,

Seu mito e seu rito,

Seu porte turbulento e

Suas poesias veladas.

Zé Boiadeiro, um homem destemido

Que viveu na região leste,

Num lugar chamado Boqueirão das
Minas.

Hoje o som de seu berrante ainda vibra

No ar daquele lugar. 

 
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