Capítulo 35 - Fuga e Encontro (um trecho do livro)

Enquanto fugia estrategicamente do assunto chamado Dourado, resolvi fugir também de forma mais concreta, literalmente. Saí caminhando, pasto afora, e peguei o caminho da Vila dos Colonos. Lá havia umas vinte casas, casinhas onde moravam os agregados, e era lá que ficava uma grande área de currais perto dos empregados, para facilitar os trabalhos. Fui recebido por um fantasma porque, para mim, até hoje, uma cabeça de boi é um fantasma. Mas, o pior é que meus arrepios estavam relacionados ao fato de ter achado que aquela caveira era de Dourado. Mas olhei para a paisagem, para bezerros recém-nascidos e tentei negar de novo, fugindo do assunto. Seu Bonifácio, no entanto, um homem bom de conversa, me abordou e procurou uma forma de descobrir minha origem. Fui solícito e contei de novo toda aquela velha história. O fato de narrar tudo de novo, foi catártico. Me senti em melhores condições para arrancar dele próprio a verdadeira história da cabeça de boi que protegia o rebanho de Seu Rezende. Perguntei não dando a ele a oportunidade para criar um discurso muito longo e mentiroso como o que fez o senhor Nico. Ele, verdadeiramente, me ajudou a acabar de vez com a ilusão, parca ilusão criada por mim mesmo e manuseada por meu pai, que certamente torcia para não encontrarmos os já adultos bois. Aquela ilusão era também fomentada pelo senhor Nico, no intuito de conquistar meu pai para mais negociações, enquanto meu ego endossava tudo aquilo na tentativa de evitar grandes feridas dentro de mim.

 
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