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06/set/2014

O BÊBADO E O CAVALO

Autor(a): Jason Frutuoso

O BÊBADO E O CAVALO

Desceu a serra alegremente cantando músicas de minha terra; apressado para chegar à cidade, golpeava o cavalo sem dó nem piedade. Parou para matar o bicho na venda do pé da serra. Agora, embriagado, ele sorria, ou melhor, gargalhava! O modo como golpeava o cavalo indicava que havia perdido a capacidade de julgamento.

Cantava as mulheres que moravam à beira da via; após o costumeiro gingado, jogando a cabeça para a esquerda e para a direita, caiu bem no meio da estrada; seu cavalo, acostumado àquela tarefa quase diária, parou, cheirou seu comandante e, ali ficou, sobriamente, vigiando seu dono que dormiu profundamente até de manhã.

O cavalo não falava, mas o homem do caminhão do leite dizia que o compreendia perfeitamente. “O cavalo falava, ninava o homem; adestrado pela rotina de seu Pedro, aprendera a acolhê-lo e a defendê-lo, trocando o papel de comandado pelo de comandante”.

Já é de manhã e lá vem de novo Maria Tereza à caça do marido, agora não mais embriagado, mas com a mesma ressaca de sempre.

Pobre Maria Tereza, a cabocla que não consegue mais viver sem a embriaguez da embriaguez do marido! 

 
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