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23/set/2012

HOJE AINDA SE MORRE DE HEMOFILIA?

Autor(a): Jason Frutuoso

“Morrer de hemofilia” é o mesmo que morrer de diabetes, de enfarto, de inanição, de derrame cerebral, de transito, de avião, etc.

Na verdade ninguém morre de hemofilia. Eu até disse em meu livro “A história de Marcela”, que hemofilia nem mesmo deveria mais ser chamada de doença em pleno ano de 2012.

As complicações é que matam: – no caso do diabetes, morre-se quando não se consegue tratar o paciente de forma preventiva para evitar suas complicações. Bastaria fornecer-lhe insulina e uma boa orientação médica; o enfarto é consequência da falta do controle da pressão arterial, de uma alimentação adequada, de exercícios físicos, enfim da falta da orientação para a saúde; a inanição não é uma doença em si mas, sim, o resultado da má distribuição de rendas, da miséria promovida pelos maus governantes e de seus aliados que não promovem uma política de educação nem tratam a saúde como bem estar físico, mental e social; transito não é doença, nele as mortes são causadas pela insensatez humana e a falta de educação; o avião não foi feito para a morte e sim para o conforto humano e se alguém morre por causa dele é porque antes da morte a negligência esteve presente.

Mas o que a hemofilia tem a ver com tudo que expus acima?

Nos anos 60, quem era hemofílico tinha um medo lógico da morte, pois havia poucos recursos e pouco conhecimento sobre a doença. O desamparo era grande e o medo de morrer não era nenhuma fantasia, era um dado de realidade. Hoje, tanto tempo depois, eles ainda vivem angustiados, mas por outra razão; eles estão aterrorizados pensando que vão perder o pouco que conseguiram em tão longa e dura batalha.

Quando o sistema entra em conflito, é a parte mais frágil que sofre.  É inacreditável que após tantos anos da extinção dos bancos de sangue clandestinos, quem precisa do precioso líquido continua vivendo na incerteza.

Por que o Brasil é tão diferente dos outros países quando o assunto é hemofilia?

 

 

 

 

 
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