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18/abr/2014

A criança o café e a limonada

Autor(a): Jason Frutuoso

 

A CRIANÇA O CAFÉ E A LIMONADA

 Por mais estranho que possa parecer, existe uma relação entre estes três.     

 Se uma visita chegar à sua casa você, como bom (a) mineiro (a) que é, vai oferecer-lhe um café e, se houver mais tempo, vai servir-lhe também uma boa limonada.

 Café combina com pão de queijo e com uma infinidade de outras guloseimas como biscoito, queijo, bolo, broa de milho, etc... – Só de falar dá água na boca.

 Mas se você se esquecer de colocar açúcar no café, com certeza irá pedir desculpas para o (a) amigo (a) e em seguida adoçar o café. A menos que ele (a) goste, como minha mulher, de tomar o café sem a adição de açúcar ou outro adoçante qualquer – coisa rara. Por outro lado, se você se esquecer de colocar pó – o amargo pó – você vai ser também alvo de críticas, porque quase ninguém gosta de saborear uma água doce, a menos que tenha a necessidade de se acalmar – coisa rara em visita de cortesia.

 Com a limonada acontecerá a mesma coisa: só caldo de limão com água é muito ácido, e açúcar com água é só água doce.

 Há quem goste de chupar limão, mas é coisa tão rara quanto gostar de tomar café sem açúcar. O ato de visitar amigos não sugere beber água com açúcar – água doce.

 Mas você pode me perguntar: “O que a criança tem a ver com isto?”

Nem que seja de longe, é comparável, porque se as visitas chegarem em sua casa e se depararem com uma criança destemperada pelo excesso de amor ou por uma estúpida rigidez educacional, certamente vai fazer comentários não bons quando forem para suas casas.

                    Hum, Que menino mal educado!

                   Concordo com você comadre, ele é mesmo insuportável.

                   Em nenhum momento os pais dão limites para aquele pestinha.

(Neste caso as visitas bem que aceitariam a tal água com açúcar).

 Sobre o café e a limonada sem açúcar, haveria como racionalizar:

                   Deve ser porque ela ficou muito tensa com nossa chegada comadre, por isto se esqueceu de colocar o doce (Nós mineiros às vezes chamamos açúcar e rapadura de doce).

Se as visitas passarem a maior parte do tempo em nossa casa vendo o Joãozinho apático e temeroso, farão também seus comentários.

                   Cê viu comadre, que meninozinho sem energia e abobalhado?

                   Vai ver que é o jeito de educar, comadre. Cê não viu que só do pai dele chegar o pobrezinho ficou tremendo?

                   Filho, de todo jeito que fizer dá problema, né? 

 Então, podemos comparar os três (menino, café e limonada), pela quantidade dos ingredientes que recebem.

 Podemos, pelo menos hipoteticamente, dizer que no menino do primeiro relato colocaram amor demais – açúcar demais – e não puseram no tempero nem um pouco de limites, regras, leis, seja lá o que queiram chamar. Faltaram-lhe as frustrações.

 No menino do segundo relato, excederam nos castigos, na rigidez e impuseram-lhe leis demais – limão e pó de café em excesso. Esqueceram-se daquela pitadinha de açúcar.

   Segundo o renomado médico francês René Spitz, mestre em desenvolvimento infantil e na relação pais e filhos, amor e frustração possuem o mesmo valor.

 “Água demais mata a planta”, já diziam nossos antepassados. E de menos também.

 
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