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30/dez/2013

AO MEU GRANDE CRIADOR

Autor(a): Jason Frutuoso

Estive pensando bem, ao caminhar por aí debaixo de farto sol e por várias vezes de fartas chuvas, que de tudo que me queixo tenho razão, uma única razão: é que sou humano. Os humanos gostam muito de reclamar. Pensei bem no que faço, no que crio, nos sonhos, e para lhe dizer a verdade, chego a pensar que com mãos, pés, pernas e tudo mais que um corpo precisa ter (e tenho) associados a uma cabeça pensante, muito pouco tenho realizado e muito conseguido. Não que eu não mereça, mas conheci pela vida afora seres que deixaram para a humanidade suas grandes criações e o que é mais relevante – sem pensarem em nada mais além de colocar para fora o senhor guardou dentro deles: o talento, o poder criativo e o desejo de enfeitar o mundo com seus feitos.

Vi também com meus olhos, seres pequeninos, como é o caso dos passarinhos que constroem suas próprias casas e ainda espalham pelas florestas sementes que as povoam de pequenas partes do pulmão do mundo – as árvores – e que por sua vez forram nossa pátria de um verde invejável. E os passarinhos cantam. Com certeza o Aleijadinho das Minas Gerais também cantou e os massacrados famintos da guerra e da Etiópia se não cantam, muitos deles encontram forças para a solidariedade, e, certamente não faltam forças a alguns deles para olharem nos olhos de seus irmãos e a eles transmitirem o conforto humano, o amparo moral. Muito, muito mais poderia falar aqui para dizer a mim mesmo o quanto o senhor deixou de bom que disparadamente vence o mal. Não falo para o criador, mas para mim mesmo. Falar de suas criações é redundância e quem precisa saber de seu poder sou eu mesmo. Portanto peço-lhe que me ajude a abrir os olhos para enxergar o belo, apure meu tato e meu paladar para eu sentir o gosto da vida, dê forças às minhas pernas para que eu possa caminhar pela vida afora e num ato maduro poder apreciar o que criastes para nós; me dê memória para que eu não me esqueça de agradecer pela família que tenho e inteligência para reconhecer que todas as dificuldades que tenho nunca fizeram face ao que de bom me foi dado.

Obrigado, meu grande mestre!

 
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